segunda-feira, 6 de setembro de 2010

 
 
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A viagem, uma paisagem e você

Por
Edson Alexandre da Silva
Membro do Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos e Sociais


“Só justiça moveu o meu autor;
sou obra dos poderes celestiais,
da suma sapiência e primo amor.”
Dante Alighieri, 1265-1321,
In “A Divina Comédia”

Já é setembro,
Todavia o verde ainda não surgiu,
Lá fora – somente a brisa quente do pós inverno.

A paisagem inspira, como me inspirou.
Silhuetas emolduram o cenário único.
Destaca-se em meio à grama seca, o ipê amarelo.
É simplesmente divino, maravilhoso: amarelo.
Igual não tem.

Lá no alto, a centenária ferrovia com pontilhões, desafia a montanha.
Surpreendo-me com a igrejinha pequena, talvez dedicada ao pagamento de alguma promessa.
E volto à estrada de ferro, que insiste e seguir-me.
Quantas e quantas horas de labor, quantas e quantas vidas, até seu término.
Sua história remonta o segundo império, quando outrora, Dom Pedro II veio a Minas.

Uma queimada lá longe,
Uma fumaça branca ergue-se ao céu,
leva consigo os mistérios das Gerais.

Sinuosa a estrada,
Em um vai e vem,
subindo e descendo,
assim, dirijo-me ao encontro de meu pai, e,
levo-a comigo, em meus pensamentos, sublime musa de meus dias.

Papai, homem honesto, digno – exemplo de bem viver.
Suas mãos lavradas pelo lavrar da terra e pelo tempo,
escondem a ternura do homem duro do campo.

Mas, cá estou,
a contemplar-te,
estás comigo, comtemplo-te:
teu olhar terno, sereno, amigo e amoroso, como é belo;
tua voz, melodiosa, canto ao meu ouvido, sonho estar de novo em teus braços;
tuas curvas perfeitas: montanhas de minhas Gerais, desafiam meus olhos e minas mãos;
Sublime, tal qual a árvore, dás fruto, quão numerosos são; em teus seios, desejo sugar a seiva humana
Quero-te, simplesmente, desejo-te.
Sou teu, és minha – esse é nosso pacto.

E, assim, senhora de meus dias, permita-me que olhe fixamente em teus olhos:
Oh!!!, como são cheios de vida,
Tua vida, a propósito – vida minha é.

Jamais quero que repita-se a tua tristeza, não quero que o leito de lágrimas que desce lentamente, borbulhando, com folhas e as vezes enfrentando pedras, seque;
Quero, antes, que o rio de lágrimas que naturalmente desce pelo vale de tuas montanhas, seja de inconfundível alegria e sendo feliz, assim, o serei.

Lá fora,
O verde sombreado por arvoredos repousa protegido pela pinguela.
O som que ouço é dos pássaros, da brisa que desce do planalto.
Tudo leva –me a lembrar-me de ti,
Mas errada é esta assertiva, pois,
Jamais, após conhecer-te, a esqueci,
Sempre estás comigo.

Lá fora,
Um pouco mais adiante,
Nos campos, alheios a tudo,
o gado pasta – passamos tão rápido – que temos a impressão, tratar-se de fotografia.

Élida, és a flor do jardim de meus dias – linda,
E, já não consigo permanecer contente sem o teu olhar.


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